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Honda ajusta estratégia para ser mais global

Data:8/6/2017

Empresa usará melhor fábricas no mundo, inclusive no Brasil

PEDRO KUTNEY, AB | De Tochigi (Japão)


Novo Civic em testes no centro de pesquisa e desenvolvimento da Honda: nova abordagem para aumentar percepção de qualidade


A Honda decidiu ampliar o horizonte de sua estratégia global, tanto no tempo como no espaço. Esta semana, o CEO Takahiro Hachigo divulgou no Japão para a imprensa de diversos países os planos da companhia até 2030, em uma extensão de 10 anos sobre o planejamento anterior, para criar assim uma rota de desenvolvimento ajustada às tendências sociais e tecnológicas que estão chacoalhando a indústria automotiva no mundo inteiro, como direção autônoma e eletrificação. Além disso, a proposta é tornar a empresa mais global, com uso mais eficiente e complementar das capacidades da Honda instaladas nas suas seis divisões: Japão, Ásia/Oceania, China, Europa, América do Norte e América do Sul – onde o Brasil, segundo Hachigo, ainda segue importante apesar dos anos de profunda retração de mercado. 

Até agora, as divisões mundiais da Honda agiam de forma independente. O objetivo agora é integrar as sinergias globais. “Estamos trabalhando para estabelecer um sistema de produção flexível e mutuamente complementar entre as seis regiões. Já começamos a ver alguns resultados positivos desses esforços”, afirma Hachigo, citando os três casos mais recentes dessa estratégia. Na América do Norte, para acomodar a crescente demanda por SUVs, a Honda vai iniciar a produção intercalada do novo CR-V em conjunto com o Pilot e Acura MDX (a marca de luxo da empresa). O Civic Hatchback produzido no Reino Unido será exportado aos Estados Unidos e ao Japão – aliás, pela primeira vez em duas décadas a linha Civic, que também inclui o sedã, voltará a ser vendida no mercado japonês, a partir de julho próximo. Por fim, outro exemplo de uso cruzado de capacidades globais é brasileiro: o WR-V, SUV compacto baseado no Fit desenvolvido pela engenharia da marca no Brasil, desde março também começou a ser produzido na Índia, de onde deve seguir para outros países asiáticos. 

Exportação e colaboração inter-regional, como começa a acontecer com a fábrica brasileira, é parte da solução que a Honda pretende usar globalmente para equilibrar as assimetrias entre oferta e demanda em diversos lugares do mundo, reduzindo assim a capacidade ociosa de suas plantas. “Vamos aumentar a eficiência de nossas operações sob uma perspectiva global”, diz Hachigo. 

O executivo reconhece o expressivo encolhimento do mercado brasileiro, mas espera por mudança no cenário adverso. “Brasil e América do Sul são muito importantes para a estratégia da Honda. É verdade que os volumes caíram muito nos últimos anos, mas esperamos que voltem a subir. Temos produtos de sucesso na região, como o HR-V, que nos deixam em boa posição. Também temos uma fábrica fechada (em Itirapina, SP) que queremos abrir. No nosso negócio, a operação sul-americana é crítico para o sucesso”, enfatizou o CEO. 

VISUAL GLOBAL, COM VISÃO REGIONAL

Entre outras iniciativas previstas no plano estratégico, a partir de setembro deste ano a Honda promete lançar seu novo design global, que deve redefinir os traços dos veículos da marca. Apesar de manter uma identidade globalizada, a empresa japonesa seguirá de olho nas oportunidades regionais, com a oferta simultânea de modelos globais e outros desenvolvidos especificamente para certos mercados. 

“Vamos fazer os nossos carros globais mais fortes, assim eles serão bem recebidos em todo o mundo. Ao mesmo tempo, as regiões que tenham consumidores com necessidades parecidas vão trabalhar juntas para desenvolver modelos regionais com alto nível de reputação. Por meio dessa iniciativa teremos negócios mais eficientes em cada região”, explica Hachigo. 

Na estratégia global de lançamentos, destaca-se a chegada da nova geração Civic a mais mercados (como o próprio Japão este ano), o início das vendas do novo CR-V nos Estados Unidos, incluindo uma versão híbrida, além da introdução do novo Accord no mercado norte-americano. Além destes, a Honda segue com mais outros dois modelos globais: o HR-V/Vezel e o Fit/Jazz. 

Na esfera regional, a Honda tem o Odyssey e Ridgeline só vendidos na América do Norte, o minicarro (K car) N-Box ganhará uma família de modelos no Japão equipada com os mais modernos sistemas de sensores para aumentar a segurança, a China fica com os SUVs UR-V e Avancier, enquanto mercados asiáticos recebem os também SUVs BR-V e XR-V. 

O caso do WR-V projetado no Brasil é intermediário: é um carro “global para mercados emergentes” – um eufemismo para definir nações subdesenvolvidas com ruas e estradas esburacadas. Apesar de o WR-V sequer oferecer (nem como opcional) controle eletrônico de estabilidade (ESC), algo já bastante comum no mundo todo, o CEO Hachigo garante que a Honda também oferecerá nos mercados sul-americanos todas as tecnologias em desenvolvimento pelo grupo. 

QUALIDADE PERCEBIDA
“Vamos perseguir o crescimento por meio da perseguição da qualidade”, resumiu Hachigo, após explicar como a marca pretende reforçar sua reputação junto aos consumidores para garantir seu futuro. “O objetivo é avançar ainda mais com a introdução de novos processos de desenvolvimento e manufatura baseados no nosso sistema que envolve os times de engenharia, produção e vendas em um só grupo a cada projeto”, define. 

Segundo o CEO, o primeiro passo da estratégia para melhorar a já boa reputação da marca foi a recente criação, em outubro do ano passado, de um novo departamento dentro da área de pesquisa e desenvolvimento da empresa, com nome tão complexo quanto sua missão: na recém-formada Divisão de Produto e Planejamento de Qualidade Percebida, os engenheiros e técnicos da empresa se debruçam minuciosamente sobre veículos Honda para “refinar” sistemas veiculares como suspensão e direção, entre outros, com o objetivo de aumentar a percepção de qualidade sobre o produto. 

“Para assegurar que todos os nossos modelos de automóveis ofereçam consistentemente esse ‘valor percebido’, estamos considerando a introdução de estratégias modulares que incluem o compartilhamento de peças e sistemas”, diz Hachigo. Ao mesmo tempo, de olho na lucratividade, a Honda criou um outro departamento, a Divisão de Planejamento de Custo para Automóveis, que tem a função de buscar reduções de custos por meio da integração das áreas de pesquisa e desenvolvimento, compras e manufatura. 

“Com essas atividades redundantes, incentivamos a criação de automóveis atraentes e atingimos redução de custos ao projetar e produzir novos modelos mais eficientes”, destacou Hachigo. “Vamos aplicar todas essas iniciativas começando com veículos que irão entrar no mercado a partir de 2019”, completou.


Fonte: www.automotivebusiness.com.br

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