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Peugeot foca estratégia na renda maior

Data:5/10/2017

Presidente global da marca promete linha atualizada com Europa no Brasil

PEDRO KUTNEY, AB


Imparato: “Não vamos colocar carros na rua a qualquer preço”

No ano em que a Peugeot deve bater seu recorde histórico com a venda de 2,2 milhões de veículos no mundo todo, o Brasil deve contribuir com a singela parcela de menos de 30 mil carros e participação de mercado em torno de apenas 1,2%. O número baixo na comparação com o que a marca vende globalmente e já vendeu no País parece não preocupar Jean-Philippe Imparato, que há um ano assumiu a presidência mundial da Peugeot. “O volume não importa, mas o valor médio mais alto dos modelos vendidos. Hoje 15% das nossas vendas mundiais correspondem a 30% da margem (de lucro). Queremos ser rentáveis em todos os lugares com produtos de gama mais alta”, afirma o executivo. 

“Não vamos colocar carros na rua a qualquer preço, vendendo barato para locadoras ou exportando com margem reduzida para a Argentina”, diz, em alusão ao que outras montadoras estão fazendo atualmente na região para escoar a produção. “Queremos ter clientes felizes com o atendimento e preservar o valor residual de seu bem”, destaca. Ana Theresa Borsari, diretora-geral da Peugeot do Brasil, lembrou que “todo o crescimento do mercado brasileiro até agora está baseado nas vendas diretas a pessoas jurídicas (como locadoras), a marca não tem interesse em seguir esse caminho que implica em baixa rentabilidade”. 

No planejamento global da Peugeot, está a meta de até 2020 aumentar para mais de 50% o volume vendido fora da Europa. Esse porcentual já está crescendo gradualmente, foi de 38% em 2015 e subiu a 42% em 2016, graças principalmente às vendas no Irã e na China, respectivamente primeiro e terceiro maiores mercados da marca no mundo – o segundo é a França. 

Nesse contexto, o Brasil segue sendo um dos cinco mercados prioritários no mundo. “Isso não é decidido em função de quem vende mais, mas o que tem maior potencial de desenvolvimento futuro”, explica Imparato, que conhece o País desde os anos 90 quando era um dos países sob sua responsabilidade no grupo. “Aprendi nesse tempo que o Brasil é campeão mundial de adaptação a qualquer situação, com grande capacidade de reação. Um país assim, mesmo com problemas, será vencedor no futuro”, confia. 

Imparato avalia que a Peugeot perdeu mercado e prestígio em muitos lugares do mundo porque “esqueceu sua história” de fazer automóveis sofisticados e desejados. No Brasil ele concorda que aconteceu o mesmo, especialmente depois que a marca decidiu adaptar veículos ao mercado de renda menor, como foi feito com o lançamento do 207 brasileiro em 2008, montado sobre a plataforma antiga do 206 em vez de seguir a evolução do modelo europeu. 

O executivo reitera que a Peugeot não cairá novamente na tentação de entrar no segmento de alto volume e baixa renda. “Nosso objetivo é subir a gama. Com todo respeito, não temos a mesma estratégia de lançar carros de entrada como o Renault Kwid. Não é essa nossa escolha”, garante. 

Imparato lamenta que o Brasil tenha seu mercado concentrado em veículos de baixo valor agregado. “Isso acontece por causa da carga tributária. Se o Brasil não quiser que 60% de seu mercado sejam de carros abaixo de € 10 mil, precisa mudar a forma de aplicação de impostos”, diz. 

ATUALIZAÇÃO DA LINHA DE PRODUTOS

“Nos próximos cinco anos o objetivo é ter aqui uma linha completamente atualizada com o que temos na Europa”, promete. “Vamos fazer essa convergência com cuidado para não perder dinheiro. Passamos por momentos difíceis no País, mas agora temos uma rede renovada e motivada (de 105 concessionárias de 50 grupos, 60% deles renovados nos últimos dois anos) que merece ter a mesma gama do resto do mundo. No Brasil existem clientes que querem e podem pagar por carros de gama superior. Com a ajuda do crédito, não vejo problema para que muitos brasileiros embarquem nessa subida de gama”, avalia. 

Dentro da perspectiva de atualização da gama, já está considerado o recém-lançado no Brasil SUV 3008 – limitado a uma cota mensal de 250 unidades e com fila de espera de 900 clientes –, um sucesso instantâneo lançado na Europa no fim de 2016 que rapidamente se transformou em símbolo de sofisticação e renovação da marca em todo o mundo. “O bom desempenho de vendas do 3008 está se espalhando para outros modelos. Nunca vendemos tantos 2008 como agora”, comemora Imaparato. 

Para 2018 está prometida a chegada ao Brasil do irmão maior da gama de SUVs, o 5008, além de alguma renovação do menor, o 2008 – este já fabricado em Porto Real (RJ) desde 2015. 

Também consta na lista de considerações, ainda sem data marcada, a vinda para a região da nova picape média Peugeot de uma tonelada, um projeto conjunto com a chinesa Changan, com possível e não confirmada produção na Argentina. 

Imparato também lembrou da ofensiva de veículos comerciais leves, que começa este mês com o lançamento do furgão médio Peugeot Expert montado no Uruguai – junto com o irmão de Grupo PSA Citroën Jumpy. “A intenção é oferecer aqui nossa linha completa de utilitários”, afirmou, enquanto mostrava um quadro que tinha, além do Expert, os furgões Partner (pequeno e já feito na Argentina) e o Boxer, de grande porte, que no ano passado parou de ser fabricado na Iveco em Sete Lagoas e deve voltar ao mercado por meio de outra operação, possivelmente via Uruguai. A van Traveller, versão de passageiros do Expert, também deve chegar em breve. 

“Nesse segmento nossa obsessão é por qualidade de serviços e pós-vendas”, destaca o presidente da Peugeot. Nesse sentido, a direção da marca no Brasil afirma que já preparou a rede para o atendimento profissional, com a criação de cinco centros em conjunto com o Senai para treinamento do pessoal de manutenção, além de maior disponibilidade de peças de reposição, para reduzir ao mínimo possível qualquer prejuízo na hora de parar o veículo na oficina.


Fonte: www.automotivebusiness.com.br

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