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MEIO FILTRANTE - Barreiras ao desenvolvimento de uma bioeconomia eficiente na UE

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Barreiras ao desenvolvimento de uma bioeconomia eficiente na UE

Data:6/11/2017

Mesmo prevendo a “descarbonização” da economia no médio prazo, a legislação pertinente às energias renováveis na União Europeia é desconexa e evidencia uma clara falta de coerência entre o discurso e a prática

A eletrificação da frota veicular, por exemplo, ilustra bem este fato, pois embora muitos países como Alemanha e França tenham anunciado planos neste sentido, a base da eletricidade gerada para alimentar os veículos ainda é altamente dependente de fontes fósseis. Enquanto isso, barreiras comerciais e não tarifárias vêm impedindo a expansão de matérias-primas mais sustentáveis, como os biocombustíveis, particularmente o etanol brasileiro, na matriz energética europeia.

“Se por um lado a Europa quer promover uma economia de baixo carbono, por outro não deseja abrir o mercado para produtos que efetivamente podem contribuir para a redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE), como o biocombustível produzido pelo Brasil, capaz de emitir até 90% menos GEE se comparado à gasolina. Projeções da própria UE indicam que em 2030, 93% dos veículos ainda serão movidos a combustível líquido, portanto é imprescindível a utilização de fontes mais eficazes”, ressalta a assessora sênior da presidência para Assuntos Internacionais da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Geraldine Kutas.

A executiva enfatizou o argumento durante dois painéis realizados no dia 24/10 em seminário sobre bioeconomia organizado pela embaixada do Brasil em Estocolmo e o governo Sueco. A participação no evento faz parte de uma parceria entre a UNICA e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) para promover os produtos derivados da cana brasileira no exterior.

“No primeiro painel insisti na matriz energética limpa do Brasil e o rol da cana-de-açúcar. Falei sobre o papel da tecnologia flex, que em 14 anos já reduziu mais de 428 milhões de toneladas de GEE, das perspectivas do etanol de segunda geração (2G) e de novos derivados sucroenergético, como os bioplásticos, biodiesel e bioquerosene para aviação. Também lamentei que países como Suécia e França tenham praticamente abandonado seus programas de carros bicombustíveis em função de outras prioridades ambientais”, observa a representante da UNICA.

Na segunda sessão de debates, Geraldine citou ações de boas práticas agrícolas e industriais utilizadas no cultivo e processamento da cana-de-açúcar no Brasil. Todo etanol exportado para a UE é certificado pelo Bonsucro, iniciativa reconhecida internacionalmente. Programas como o Protocolo Agroambiental do Estado de São Paulo, responsável pela mecanização da colheita, o que extinguiu o uso de fogo em grande parte dos canaviais paulistas, reduzindo emissões de CO2 e preservando a biodiversidade, também foram mencionados.

A executiva encerrou a sua participação no evento observando a relevância do Projeto RenovAção na profissionalização de ex-cortadores de cana. Em cinco anos, foram requalificadas mais de 6.600 pessoas ligadas direta ou indiretamente ao setor sucroenergético paulista. Referiu-se também à formação de outros 20 mil novos trabalhadores em iniciativas semelhantes, e que tiveram o RenovAção como modelo de referência. Cerca de 78% dos participantes dos 30 cursos oferecidos pelo RenovAção já se recolocaram no mercado de trabalho, obtendo um aumento médio na renda de até 75%.


Fonte: www.unica.com.br

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