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Evento da Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público da Câmara dos Deputados debate formas para retomar o desenvolvimento industrial

Data:13/11/2017

Abiquim defende a criação de política industrial com matéria-prima e energia a custos competitivos em seminário no Congresso Nacional

 

Crédito: Richard Silva/PCdoB na Câmara - O deputado federal Davidson Magalhães (PCdoB/BA), o diretor do BDNES, Carlos Alexandre Jorge da Costa, e a diretora da Abiquim, Marina Mattar
 

A Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público (CTASP) da Câmara dos Deputados, sob liderança do deputado Orlando Silva (PCdoB/SP), presidente da comissão, realizou o seminário “Desafios para a Reindustrialização Nacional”, que teve como objetivo promover um debate sobre as ações necessárias para a retomada do crescimento industrial. O seminário, realizado no dia 7 de novembro, contou com a participação de parlamentares, representantes da academia, instituições e entidades industriais, entre eles, a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim).

 

Os participantes do seminário apresentaram uma análise da política econômica nas últimas décadas nos setores de comércio, indústria e inovação e dados que dão a dimensão da participação do Brasil no desenvolvimento industrial mundial. Também foram discutidos pontos sobre a evolução da indústria em si, os caminhos a serem percorridos até o País alcançar a Quarta Revolução Industrial, como outros países reagem a essas mudanças e quais são as prioridades e posicionamentos recomendados.

 

A diretora de Relações Institucionais e Sustentabilidade da Abiquim, Marina Mattar, realizou uma apresentação destacando as políticas industriais de países como Estados Unidos, China e Coreia do Sul, que praticaram medidas como financiamento para as indústrias a juros subsidiados; agressiva política de proteção comercial; decisivo apoio às inovações; e proibição de exportação de máquinas e matérias-primas.

 

Marina também demonstrou preocupação ao analisar a falta de crescimento do setor industrial, que cai desde 1983 e relatou como a indústria química brasileira foi superada pela Índia e França. “Até o ano passado no ranking da indústria química global a indústria química brasileira era a sexta maior do mundo, mas fomos ultrapassados por esses dois países que não tem matéria-prima, enquanto o Brasil é rico em matéria-prima”.

 

A diretora da Abiquim também citou como exemplo a política industrial implementada pelo presidente francês François Hollande, em 2013, que definiu os setores prioritários e tecnologias que a indústria francesa deveria utilizar e disponibilizou recursos de € 1,9 bilhão em subsídios públicos ou pagamento de bens e serviços, € 5 bilhões em incentivos fiscais e € 2,9 bilhões em empréstimos públicos. “Foi um grande impulso para a retomada do crescimento da indústria e da economia francesa. O exemplo francês demonstra como é absolutamente imprescindível uma política para o desenvolvimento econômico”, acentuou Marina.

 

Para a promoção do desenvolvimento industrial do setor químico, a diretora da Abiquim apontou que é necessário valorizar os pontos fortes do País e defendeu a criação de uma política industrial com cinco pontos essenciais: “Matéria-prima a preços competitivos, energia com preços competitivos, melhoria na estrutura e nos custos logísticos, investimento em inovação e qualificação da mão-de-obra”. Sobre o tema logística, Marina relatou que a Abiquim concluiu sua Agenda Estratégica de Logística, que foi entregue ao ministro dos Transportes, Portos e Aviação Civil, Maurício Quintella, com os pleitos do setor industrial químico para melhorar o tráfego de produtos no Brasil.

           

Segundo o diretor da Área de Crédito, da Área de Tecnologia da Informação e da Área de Planejamento e Pesquisa do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Carlos Alexandre Jorge da Costa, o declínio da indústria brasileira foi intenso e acelerado nas últimas décadas. Costa apontou que as perspectivas sobre os níveis de investimentos na indústria e infraestrutura para os próximos quatro anos são muito baixas. Em sua visão, a solução para a reindustrialização passa pela redução do custo de capital; garantia de insumos a preços competitivos, incluindo energia; políticas de simplificação tributárias; e ações para melhoria do ambiente de negócios.

 

O professor de Direito Econômico e Economia Política da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (FD/USP), Gilberto Bercovici, fez críticas à política econômica brasileira, que parece dar preferência ao setor primário da economia (extrativismo e agronegócio). Segundo o docente, o Brasil precisa fortalecer sua indústria para desenvolver a economia de forma sustentável. Para tanto, Bercovici considera essencial traçar políticas de juros e de crédito que incentivem o investimento das empresas, além de adotar uma política energética coerente.

 

O seminário também contou com a participação do gerente-executivo de Política Econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flávio Castelo Branco; do presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) Luiz Augusto Souza Ferreira; do pesquisador do Departamento de Geografia da USP, Ronaldo Carmona; do economista e supervisor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), José Álvaro de Lima Cardoso; da professora da Faculdade de Economia da Universidade Federal Fluminense (UFF), Carmen Feijó; e do gerente-executivo de Política Industrial da CNI, João Emílio Padovani Gonçalves. Além dos deputados Davidson Magalhães (PCdoB/BA), Jorge Boeira (PP/SC), Daniel Almeida (PCdoB/BA), Assis Melo (PCdoB/RS), Jô Moraes (PCdoB/MG), Luciana Santos (PCdoB/PE), Jorge Cortê Real (PTB/PE) e Sílvio Costa (Avante/PE). 

 

Abiquim – Associação Brasileira da Indústria Química (www.abiquim.org.br) é uma entidade sem fins lucrativos fundada em 16 de junho de 1964, que congrega indústrias químicas de grande, médio e pequeno portes, bem como prestadores de serviços ao setor químico nas áreas de logística, transporte, gerenciamento de resíduos e atendimento a emergências. A associação realiza o acompanhamento estatístico do setor, promove estudos específicos sobre as atividades e produtos da indústria química, acompanha as mudanças na legislação e assessora as empresas associadas em assuntos econômicos, técnicos e de comércio exterior. A entidade ainda representa o setor nas negociações de acordos internacionais relacionados a produtos químicos.



Fonte: Assessoria de Imprensa

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