Publicidade
MEIO FILTRANTE - BMW espera regras para definir futuro

Esta notícia já foi visualizada 304 vezes.

BMW espera regras para definir futuro

Data:31/1/2018

Empresa defende regime especial para produção de baixos volumes


PEDRO KUTNEY, AB


Boavida: à espera de regramento do governo para decidir o futuro no Brasil

“Investimos R$ 1 bilhão nos últimos quatro anos e temos uma presença abrangente no Brasil, com fábrica de motos em Manaus (AM) e de automóveis em Araquari (SC), que nos ano passado produziu 60% dos carros que vendemos aqui. Mas falta um sinal claro por falta do governo sobre o futuro, ainda não existe a definição de como será o regramento para a indústria nos próximos anos, que estava sendo discutido no Rota 2030, e precisamos dessa previsibilidade para saber o que decisões vamos tomar em um negócio que planeja seus produtos com até sete anos de antecedência.” Assim Helder Boavida, presidente do BMW Group no Brasil, apresenta o momento atual da empresa, que em 2014 inaugurou sua fábrica brasileira em Santa Catarina para contornar as restrições às importações impostas pelo Inovar-Auto, encerrado no fim do ano passado sem que fosse colocado em vigor um programa de desenvolvimento setorial para substituí-lo, o Rota 2030, que foi discutido ao longo de 2017 até ser barrado pelo Ministério da Fazenda. 

Hoje a fábrica de Araquari opera com ociosidade superior a 50%, as 14,5 mil unidades produzidas em 2017 para abastecer o mercado brasileiro (10,8 mil emplacamentos) e exportações aos Estados Unidos não preencheram nem a metade da capacidade de 32 mil veículos/ano. Dos seis modelos que já foram feitos lá (Série 1, Série 3, X1, X3, X4 e Mini Countryman), restam agora três, Série 3, X1 e X4, e o contrato de exportação do X1 ao mercado norte-americano terminou no ano passado. Os novos X3 e X2 que estão sendo lançados este ano virão ao Brasil importados inicialmente, embora sejam candidatos naturais à produção nacional. “Antes de decidir produzir aqui precisamos entender como ficarão as regras para isso”, reforça Boavida. “Não é intenção fechar a unidade, ainda é mais barato fazer aqui do que importar, mas depende do volume”, reconhece. 

“Nós e as outras empresas que fizeram plantas (de carros premium) nos mesmos moldes (Audi, Mercedes-Benz e Jaguar Land Rover) não estão conseguindo lucrar com isso, por isso precisamos de um regime específico para atender o modelo de baixo volume de produção”, defende Boavida. Segundo o executivo, uma das maneiras de aliviar os custos da operação seria a redução de impostos de componentes importados, já que o parque nacional de fornecedores não se interessa em produzir aqui peças de baixa escala para abastecer essas montadoras, que por essa característica trabalham com índices muito pequenos de nacionalização. 

Boavida conta que atualmente a BMW tem exceção tarifária (ex-tarifário) apenas para importação de motores, que pagam alíquota de 2% por certo período. Sobre as demais partes incide imposto de 18%, “o que é elevado”, diz ele, e para importar carrocerias semiacabadas, já soldadas e pintadas, pagam-se os mesmos 35% de um carro importado pronto. 

“Esperamos por um regramento sobre o qual não se tem definição até o momento. A expectativa é que o Rota 2030 trouxesse um período maior de previsibilidade do que o Inovar-Auto, o que é fundamental para decidir sobre o vamos fazer aqui. Sabemos operar das duas maneiras, como importador e fabricante local, mas precisamos de definições para definir como operar”, insiste Boavida. Ele cita o exemplo da África do Sul, que concedeu diversos incentivos ao setor e por isso está se tornando base produtiva do BMW X3, que será exportado de lá para países como a Austrália, “ que decidiu não conceder nenhum benefício e hoje não produz carros, só os importa”. 

Boavida defende a importância dos incentivos concedidos ao setor para preservar os investimentos já feitos. “Fala-se em isenções de pouco mais de R$ 1 bilhão por ano, o que é muito pouco pois o setor dá retorno muito alto [ao governo], de mais de R$ 40 bilhões por ano [em impostos].”


Fonte: www.automotivebusiness.com.br

Comentários desta notícia

Publicidade