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Máquinas de construção voltam ao ciclo de crescimento

Data:8/3/2018

Vendas podem crescer até 10% no Brasil sob a condição de investimentos em infraestrutura, aponta presidente da Volvo CE, Afrânio Chueire 

SUELI REIS, AB

O setor de máquinas e equipamentos de construção começou a trajetória de um novo ciclo gradual de crescimento no Brasil, após enfrentar sua pior crise, quando chegou a registrar queda de 76% das vendas em um curto período de três anos, saindo de 30,1 mil em 2014 para 7,2 mil em 2016. Segundo o presidente da Volvo Construction Equipment (Volvo CE) na América Latina, Afrânio Chueire, uma notável reação do setor vem sendo observada desde o ano passado, alavancada por diferentes fatores, o que segundo o executivo, pode colocar o País novamente na rota a fim de alcançar um potencial volume de vendas entre 15 mil e 20 mil equipamentos por ano.

“Estamos nos preparando para este volume, que não virá agora, em 2018, mas o mercado pode alcançar crescimento de 5% a 10%, pode ser até mais, mas existe uma condicional para isso”, alerta o executivo durante sua apresentação de balanço à imprensa na quarta-feira, 7, em São Paulo.

Segundo Chueire, este cenário só é considerado sob algumas condições, entre elas a de que o País efetue investimentos essencialmente na área de infraestrutura nos próximos anos, sejam eles governamentais ou da iniciativa privada. Gargalos no setor de energia, logística, mobilidade urbana, transporte de cargas, commodities e armazenagem são citados como entraves que vêm sendo enfrentados pelo País há anos, refletindo um crescimento limitado do PIB. “A capacidade do mercado em agir sem investimentos é limitada”, reforça. Ele cita dados do BNDES, que registrou uso de apenas 30% dos recursos destinados à infraestrutura. “Houve uma sobra por falta de projetos”, lamentou.

Apesar disso, a Volvo CE aponta que alguns indicadores da economia vem melhorando, como o próprio PIB, que evoluiu 1% em 2017 sobre 2016 (a primeira alta desde 2014), o que reforça o cenário mais favorável para os negócios.

“Este ano será melhor que o ano passado para o setor de equipamentos; já começou melhor: em janeiro anotamos uma participação de mercado maior do que mesmo mês de 2017; nossa posição é otimista, mas com cautela”, afirma Chueire. “Para que os investimentos sejam realizados, a questão política é importante, por isso a cautela. O papel do Estado ainda é muito preponderante na economia brasileira, é necessária uma condição política equilibrada com reformas estruturais vindas em reboque”, defende.

BALANÇO E NOVIDADES

A pequena reação do setor de máquinas e equipamentos de construção no Brasil se confirma nos números: em 2017, as vendas fecharam em 7,3 mil unidades, leve aumento de 1,4% sobre o volume anotado no ano anterior. A Volvo CE se beneficiou com 16,9% de participação do volume total vendido no País, incluindo sua marca SDLG, o que representou aumento de um ponto porcentual a mais de market share na comparação com 2016.

O Brasil responde por 30% dos negócios do setor de máquinas de construção na América Latina, cujas vendas cresceram 20,8% em 2017, para 17,4 mil unidades, sem considerar os dados do mercado brasileiro. No mercado hispânico – como é chamado pela Volvo CE o conjunto dos países da região sem contar o Brasil – a empresa manteve sua participação em 7,5%, com maiores volumes em todas as linhas de produtos (carregadeiras, escavadeiras, caminhões articulados, entre outros). O resultado foi impulsionado pela Argentina, o segundo maior da América Latina, com 21% de participação. Por lá, as vendas totais do setor quase dobraram, registrando crescimento de 92%, graças aos setores de infraestrutura e mineração. Peru e México, que respondem por 6% e 10%, respectivamente, também encerraram o ano passado com vendas maiores, de 4% e 3%. “No México, por exemplo, nas linhas de pás-carregadeiras, escavadeiras e caminhões articulados, nossas vendas aumentaram 30%”, diz Chueire.

Neste ano, a Volvo CE reestruturou sua organização comercial nos mercados hispânicos, que agora passa a contar com três divisões: South, que compreende os países do Cone Sul, como Argentina, Uruguai, Paraguai e Bolívia; Central, formada por Chile, Peru e Equador; e North, que abrange os países restantes, incluindo Colômbia, México, Venezuela e os demais mercados da América Central.

“Estamos mais próximos dos clientes, o que na prática significa mais agilidade para atender as demandas de cada mercado”, comenta Chueire.

Toda a região continuará sendo abastecida pela fábrica que a Volvo CE mantém em Pederneiras, no interior de São Paulo, considerada uma planta para fornececimento global. De seu total produzido, 34% é destinado ao Brasil, enquanto todo o restante vai para as demais regiões do mundo, incluindo os mercados hispânicos na América do Sul (22%), América do Norte (20%), Europa e Oriente Médio (15%), e Ásia (9%). Atualmente, a unidade trabalha com 40% de sua capacidade

Como estratégia para continuar crescendo na América Latina e no Brasil, a empresa confirma o lançamento de produtos neste ano, com destaque para o seu primeiro caminhão rígido, um lançamento global e que será mostrado primeiro no Brasil, em junho. Segundo Chueire, o caminhão será importado da Escócia. Além disso, a empresa também pretende lançar produtos voltados para o gerenciamento de frotas.


Fonte: www.automotivebusiness.com.br

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