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FCA apresenta investimento e negocia incentivos do governo

Data:6/7/2018

Ketter conduziu Temer em rota dentro da fábrica da FCA em Goiana (PE), em março passado: e recebeu promessa de extensão de incentivos na Região Nordeste.


Além do Rota 2030, empresa cobra a prometida extensão do Regime Automotivo do Nordeste 

PEDRO KUTNEY, AB


Uma comitiva de executivos de alta patente da FCA (Fiat Chrysler Automobiles), acompanhada de dois senadores de Pernambuco, fez duas visitas emblemáticas ao governo em Brasília na quarta-feira, 4, primeiro no Ministério da Fazenda e na sequência na Presidência da República. Segundo a empresa, o objetivo foi divulgar o recém-lançado ciclo de investimentos da empresa no País, de R$ 14 bilhões até 2022, além de apresentar formalmente o novo presidente para a região América Latina, Antonio Filosa, que há três meses assumiu o posto de Stefan Ketter (ambos faziam parte do grupo nos dois encontros). Uma boa desculpa para tratar do interesse principal das reuniões: assegurar a extensão de 2020 até 2025 dos benefícios do Regime Automotivo do Nordeste para a fábrica de Goiana (PE). 

Essa extensão foi prometida em março passado, quando a FCA anunciou a adoção do terceiro turno de trabalho no Polo Automotivo Jeep em Pernambuco. Naquele evento, de surpresa, em seu discurso o próprio mandatário-tampão Michel Temer prometeu a prorrogação do regime, que assegura um generoso desconto tributário de IPI, equivalente ao valor cobrado de PIS-Cofins, para carros produzidos no Nordeste, que resulta em isenções calculadas em R$ 1,8 bilhão por ano. O incentivo vai acabar em 2020 e até agora o governo não tomou nenhuma medida para prorrogá-lo até 2025. Ao que parece, a FCA foi agora cobrar a fatura do palanque oferecido três meses atrás em Goiana. 

O roteiro em Brasília e os participantes dos encontros indicam a negociação em torno de incentivos tributários. A comitiva da FCA Latam nos dois encontros era formada por Stefan Ketter, vice-presidente mundial de manufatura do grupo (que até março acumulava também a presidência da FCA Latam), o atual presidente da divisão Antonio Filosa, o diretor jurídico Mário Lima e o diretor relações institucionais Antonio Sergio Mello. A primeira parada foi na Fazenda, onde são tratados tributos e política econômica, para uma audiência com o ministro Eduardo Guardia e Jorge Rachid, secretário da Receita Federal – não por acaso, responsável pela arrecadação federal e pela aplicação de isenções. 

No mesmo dia, cerca de quatro horas depois, o mesmo grupo seguiu para o Palácio do Planalto, onde tiveram audiência com o mandatário-tampão Michel Temer, acompanhados também pelos senadores pernambucanos Armando Monteiro e Fernando Bezerra, que integram a tropa de apoio político ao governo e defendem incentivos ao Estado que representam, onde está o Polo Jeep. 

Ninguém confirma o que ficou acertado sobre a prorrogação do Regime Automotivo Nordeste, mas a atual gestão do Ministério da Fazenda é contra. A concessão de isenções fiscais para programas de desenvolvimento industrial vem sendo sistematicamente negada pela pasta, que não consegue fechar o rombo fiscal do País. Tudo ficou mais difícil depois da paralisação dos caminhões no fim de maio, quando o governo pressionado concedeu subsídios ao diesel, que segundo o ministro Guardia seriam compensados pelo cancelamento de incentivos. 

O assunto Rota 2030, novo programa setorial automotivo que deve finalmente ser anunciado nesta quinta-feira, enfrenta o mesmo problema e, pela lógica, também fez parte das discussões entre governo e FCA – ainda mais que Ketter, quando ainda comandava a empresa no País, foi um dos primeiros integrantes e principais incentivadores do grupo de executivos de montadoras no Brasil a propor o plano de desenvolvimento para o setor; e sempre lamentou a demora na sua aprovação em função de desentendimentos sobre incentivos fiscais. Mais recentemente, quando anunciou o novo programa de investimento da FCA no País, o sucessor de Ketter, Filosa fez questão de reafirmar que o plano foi traçado levando em consideração as bases do Rota 2030.


Fonte: www.automotivebusiness.com.br

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