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Importadores da Abeifa projetam crescer 33% em 2019

Data:10/1/2019

Gandini: câmbio atrapalhou os planos de crescimento dos importadores em 2018

Dólar caro reduziu expansão em 2018, que terminou em alta de 26,3% 

PEDRO KUTNEY, AB
 
Os importadores filiados à Abeifa, que representam 16 marcas de veículos negociados no País, terminaram 2018 com alta nas vendas de 26,3% sobre 2017, porcentual quase duas vezes maior em relação à média de crescimento do mercado brasileiro de automóveis e comerciais leves no ano passado, que foi de 14,6%. Mas esperava-se desempenho quase 10 pontos melhor, de expansão de 35% para 40 mil unidades, em vez das 37.582 emplacadas nos últimos 12 meses. Segundo o presidente da associação, José Luiz Gandini, o desempenho é explicado integralmente pelo encarecimento no ano de 21% do dólar em relação ao real, que freou expansão maior. Com expectativa de volatilidade menor do câmbio a partir de agora, a projeção da entidade é que as importações de seus sócios cresçam 33%, para 50 mil veículos em 2019. 
 

“No início de 2018 nossa expectativa era maravilhosa com o fim [da sobretaxação a veículos importados] dos 30 pontos porcentuais de IPI do Inovar-Auto, mas a alta do dólar anulou essa vantagem. Foi um ano muito tumultuado, com escândalo da JBS, greve dos caminhoneiros, Copa do Mundo e eleições. O câmbio passou de R$ 3,29 para R$ 4,20 e voltou a R$ 3,88. Com isso não conseguimos atingir os 40 mil carros previstos”, avalia Gandini.


Este ano deverá ser o segundo consecutivo de crescimento para os importadores filiados à Abeifa, que seguem em lenta recuperação após seis seguidos de quedas profundas. As importações dos sócios da entidade atingiram o pico de 199,4 mil unidades em 2011, com dólar abaixo de R$ 2. Os volumes começaram a despencar em 2012, quando entrou em vigor a sobretaxação de 30 pontos porcentuais sobre o IPI, chegando ao piso de 29,7 mil emplacamentos em 2017. 

Para fixar sua projeção de vender 50 mil carros importados este ano a Abeifa aposta no fim da volatilidade cambial, com a estimativa que a cotação do dólar deverá ficar quase estável em R$ 3,75 até o fim de 2018. Gandini ampara essa previsão em voto de confiança à equipe econômica do atual governo, mas reconhece que muitos fatores podem mudar: “É difícil prever, o câmbio pode ficar 10% acima ou abaixo do que projetamos. O governo é novo mas já ouvimos de tudo, até que o imposto de importação de veículos pode ser reduzido. Muita coisa pode mudar e é difícil acertar o planejamento assim”, lamentou. 

ATUAÇÃO EM NICHO


Apesar da volatilidade cambial, o fim da sobretaxação do Inovar-Auto empurrou claramente para cima o volume de veículos leves importados vendidos em 2018, de 308,6 mil unidades, considerando todas as importações. O número representou 12% do mercado brasileiro no ano e crescimento de 27,3% sobre 2017, apenas um ponto acima do desempenho dos sócios da Abeifa, responsáveis por apenas 1,5% das vendas totais no ano passado. No mesmo período, os 2,16 milhões de emplacamentos de automóveis e comerciais leves fabricados no Brasil resultaram em expansão porcentual menor, de 12,1% na comparação anual. 

Gandini admite que, para além do dólar caro, outro fator que pesa contra um melhor desempenho dos importados é a evolução dos veículos nacionais, que se igualaram em tecnologia e qualidade com alguns estrangeiros. “Essa melhoria aconteceu de fato. Muitas tecnologias que só eram encontradas em modelos importados, como uma câmera de ré, hoje estão em qualquer carro fabricado no Brasil. Hoje temos dificuldades de vender carros importados mais básicos, temos de focar nos segmentos topo de linha, para oferecer um produto diferenciado ao cliente, é nesse nicho que atuamos”, explica o presidente da Abeifa. 

Essa tendência é claramente demonstrada pelas diferenças de crescimento das 16 marcas importadas representadas pela Abeifa. As que mais cresceram porcentualmente em 2018 sobre 2017 são as que oferecem produtos mais diferenciados dos nacionais. Pela ordem, as 10 primeiras foram Volvo (+95,6%), Ferrari (+65%), Jaguar (+44,8%), BYD (+53,3%), Kia (+39%), Lamborghini (+36,4%), Land Rover (+36,3%), BMW (+28,2%), Porsche (+24%) e Mini (+8,8%). 

Em volumes e participação, os maiores sócios da Abeifa em 2018 foram a Kia (31,2% e 11,7 mil unidades), Volvo (18,2% e 6,8 mil) e JAC (10,3% e 3,9 mil). 

PRODUÇÃO LOCAL


Quatro associadas da Abeifa também têm fábricas de montagem local no Brasil. BMW, Caoa Chery, Land Rover e Suzuki montaram juntas 23,7 mil veículos em suas plantas brasileiras, número 29% superior ao registrado em 2017. 

A Caoa Chery, empresa nascida no fim de 2017 com a associação entre a brasileira Caoa e a chinesa Chery, foi a principal responsável pelo crescimento da produção local das empresas filiadas à Abeifa. As duas fábricas do grupo sino-brasileiro em Jacareí (SP) e Anápolis (GO) produziram 8.634 carros, em crescimento de 133% sobre 2017. 

A BMW informou ter produzido 8.563 automóveis em Araquari (SC) no ano passado, em expansão de 7,3% sobre 2017. A Land Rover montou 4.295 veículos em Itatiaia (RJ), em queda de 7,8% na comparação com o ano anterior. Já a Suzuki (do mesmo grupo HPE que também faz modelos Mitsubishi em Catalão, GO) fez 2.207 unidades. 

Com a esperada expansão acelerada da Caoa Chery, com a produção de três modelos em Jacareí (QQ, Arrizo e Tiggo 2) e outros três em Anápolis (Tiggo 5x, Tiggo 7 me Tiggo 8), que deverá ainda chegar a 105 concessionárias abertas no País até o fim do ano, a Abeifa estima que a produção local de seus sócios em 2019 deverá atingir 55 mil unidades, em alta de 132% sobre 2018. 

Somando modelos importados e montados localmente, a Abeifa projeta que as marcas associadas vão fechar 2019 com 105 mil veículos emplacados, em crescimento esperado de 71,3% ante os 61.281 emplacamentos do ano passado.


Fonte:  www.automotivebusiness.com.br

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