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A Scania continua apostando muito no país

Data:6/3/2019

Em entrevista exclusiva, o vice-presidente de operações da Scania Brasil fala da expectativa da montadora em relação a investimentos e à economia brasileira

Foto: Scania Divulgação

Desde 2017, o paulista Roberto Barral responde pela vice-presidência de operações comerciais da Scania Brasil. Durante um bate-papo com nossa reportagem na nova fábrica de cabinas da montadora em São Bernardo do Campo (SP), Barral reforçou que – a despeito de acompanhar concorrentes diretas descontinuando operações e desativando fábricas – a empresa continua apostando no Brasil e espera crescimento expressivo no mercado de pesados em 2019. Entusiasta do livre mercado, ele se diz otimista com a política econômica do governo Jair Bolsonaro, mas sublinha a necessidade de haver medidas concretas, como a aprovação das reformas estruturantes.

Confira os principais trechos dessa conversa:

Acabamos de ter a notícia de que a Ford fechará sua fábrica de caminhões em São Bernardo do Campo (SP) neste ano e já há comentários de que a GM também seguirá o mesmo caminho. Diante disso, qual é a mensagem da Scania para os seus clientes e os brasileiros?

Mesmo com a crise de 2015 e 2016, a Scania tomou uma decisão de continuar investindo no país. Não só trazendo produtos, tecnologia, serviços e tudo mais, mas também com um investimento de R$ 2,6 bilhões na nossa nova fábrica. Continuamos apostando na nossa loja e na nossa rede de concessionários. Então, os clientes, os nossos fornecedores e todos que estão envolvidos com a Scania podem ficar muito tranquilos em relação a isso. 

A prova disso é que, já em 2018, a Scania do Brasil conseguiu ser, novamente, o primeiro mercado da Scania em termos de caminhões no mundo. Quem visitar nossa nova fábrica de cabinas aqui em São Bernardo do Campo verá um grande canteiro de obras. Ampliação das fábricas, nível de produtividade, novas tecnologias. Ainda não é algo que recupere tudo o que tivemos nos anos anteriores.

Qual a expectativa da Scania em relação à condução da política econômica pelo novo governo, tendo em vista que esses dois primeiros meses de gestão foram marcados por alguns sobressaltos?  

O Brasil é uma caixinha de surpresas. Sempre tem as suas turbulências. Nada melhor do que um brasileiro para conduzir qualquer negócio no Brasil, sabendo dessas inseguranças. Para a Scania é claro que são muito importantes as reformas estruturais. Precisamos recuperar a questão do déficit, a questão previdenciária. Uma série de coisas que a gente aposta que o governo vai ter suas dificuldades, mas a gente gostaria muito que fosse aprovado. O que a gente também defende muito é o livre comércio, é importantíssimo que esse governo venha com essa filosofia. Independentemente disso, a gente já viveu esse cenário crítico econômico e político no passado. 

O empresariado continua em compasso de espera?

Ocorre que agora o empresário está um pouco mais otimista, mas é importante o governo se estruturar, se equilibrar, seguir e aplicar as medidas que foram aprovadas, porque o empresariado como um todo viu sinalizações positivas nisso. O Brasil é um mercado pujante, a gente tem um agronegócio que continua se desenvolvendo. Já começamos a escutar algumas coisas na parte da construção [no sentido de aquecimento do setor] e outros segmentos específicos já vêm andando numa boa pegada. Então, é importante o governo fazer mudanças estruturais para garantir não só o curto prazo. É necessária a liberalização do mercado, mexer nas mídias estruturais para gente garantir o médio e longo prazo, mas a Scania continua positiva nesse sentido.

Recentemente, a CNT divulgou a Pesquisa Perfil dos Caminhoneiros?, e a Scania figura entre as três marcas favoritas desses profissionais no Brasil, que enfrentam ainda condições precárias de trabalho e foram diretamente impactados pela recessão econômica. O que a Scania tem a dizer aos caminhoneiros do Brasil?

Dentro do nosso pacote de soluções, a gente designou um driver de serviço que é focado no motorista. E por isso que garanto que não estamos focados simplesmente na tecnologia da performance do veículo, mas também na posição de motorista como condutor da nossa máquina. Anualmente, realizamos uma competição do melhor motorista de caminhão. Já foram mais de 40 mil pessoas passando por isso. Valorizamos muito o motorista e sabemos que é uma categoria que sofre muito. Da nossa parte, posso garantir o amor, a vontade, o conforto, a dirigibilidade e a certeza de que a Scania vai estar muito próxima.

O que o governo tem de fazer para melhorar a situação dos caminhoneiros, especialmente a dos autônomos, que evidenciaram suas angústias na última greve, como tabela de frete e dificuldade para financiar veículos novos? Na Pesquisa CNT Perfil dos Caminhoneiros, por exemplo, os autônomos revelam que, entre as principais dificuldades, está o custo operacional dos veículos (combustível, pneu, manutenção)...

O livre mercado é importantíssimo, e a tabela de fretes, por exemplo, é importante para o autônomo, mas tem que ser muito bem elaborada, muito bem pensada para que cubra os custos.  Para que ele tenha um retorno da operação dele, o que a gente defende também é um pouco a renovação da frota, porque não adianta você fazer uma tabela de frete se, infelizmente, tem veículos de 30 anos rodando. Não é bom para o meio ambiente, não é bom para a sociedade. O autônomo se sujeita a fretes risíveis, que muitas vezes, se estourou um pneu, ele não consegue pagar o custo do veículo. Eu acho que aí o governo poderia tentar estimular um pouco mais, um programa de alguma renovação de frota que envolveria, principalmente, os autônomos.

A nova geração de caminhões da Scania aposta muito em tecnologia embarcada e principalmente em conectividade. Nesse sentido, o que vocês esperam do motorista?

Hoje, o nosso cliente não é mais motorista, e sim um operador de uma grande máquina. Falando de conectividade, meu motorista hoje está muito conectado, está o tempo inteiro nas redes sociais. Por isso, é muito importante estar capacitado, pois esse profissional não está sozinho no veículo, na estrada, precisa estar ciente de tudo o que acontece à sua volta.  Hoje num avião é tudo automatizado, mas é preciso ter outras percepções. Precisa trabalhar na velocidade dele, na segurança dele, na qualidade de sua vida. 

Nessa perspectiva, qual a importância do trabalho de qualificação realizado por entidades como o SEST SENAT?

Principalmente para a valorização do motorista, que é uma pessoa que, assim como qualquer outro profissional, precisa sempre estar atualizada, treinada, capacitada e valorizada. O trabalho que o SEST SENAT e outras instituições realizam é fundamental para valorizar esse profissional e desenvolver o setor.


Diego Gomes
Agência CNT de Notícias

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