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Presidente da FCA Latam prevê ganho de participação na região

Data:17/6/2019

Antonio Filosa, presidente da FCA Latam: ganho de participação de mercado em 2019 (Foto: Leo Lara/divulgação FCA)


Antonio Filosa projeta compensar com mais clientes queda nas vendas de veículos na América Latina em 2019 

PEDRO KUTNEY, AB | De Belo Horizonte (MG)


Antonio Filosa, presidente da FCA Latam (Fiat Chrysler Automobiles) prevê três frentes climáticas distintas na região que dirige em 2019: um caminho para uma ensolarada manhã no Brasil, a continuação da “tempestade perfeita” na Argentina e estabilidade com névoas no restante da América Latina. Assim ele resumiu o cenário regional aos principais fornecedores da empresa reunidos durante o Annual Supplier Conference & Awards 2019, realizado em Belo Horizonte (MG) na quinta-feira, 13, para premiar as empresas que mais se destacaram no ano passado. 

A derrocada do mercado argentino, que deve fechar 2019 com menos da metade do volume de 2018, em retração de 60%, é responsável pela queda de 6,6% nas vendas na América Latina este ano na comparação com o anterior. A FCA trabalha com estimativa de 4,2 milhões de veículos leves comercializados na região (contra 4,5 milhões no ano passado), com 2,7 milhões no Brasil, menos de 500 mil na Argentina, 400 mil no Chile, 300 mil na Colômbia e 200 mil no Peru. Pelos cálculos do fabricante, os mercados latino-americanos têm potencial para consumir 5,2 milhões de unidades a partir de 2022, com 3 milhões no Brasil, 800 mil na Argentina e 1,4 milhão na soma dos demais países. 

“As vendas na América Latina vão cair este ano por causa da Argentina, mas a FCA vai crescer porque devemos ganhar 1,2 ponto porcentual de participação geral de mercado na região, fechando o ano com cerca de 14% de share. Estamos aproveitando o sucesso dos modelos Jeep”, projeta Antonio Filosa.


O executivo avalia que a participação combinada das marcas Fiat e Jeep no Brasil deve alcançar a marca de 18,7% este ano, enquanto na Argentina o terceiro lugar deve ser mantido com share de 13%. Nos demais países latino-americanos (sem incluir o México) a penetração da FCA é de cerca de 3%. 

O presidente da FCA Latam estima que as vendas de Fiat e Jeep na América Latina toda, de modelos produzidos no Brasil e na Argentina, devem somar 610 mil unidades este ano. A produção total da divisão Latam deve ser um pouco maior, 635 mil, volume parecido com o de 2018. “A baixa na Argentina está sendo compensada pela expansão no Brasil, assim o número permanece estável”, explica Filosa. 

O maior crescimento é da fábrica de Goiana (PE), que produz alguns dos modelos de maior sucesso da FCA na região, os SUVs Jeep Renegade e Compass e a picape Fiat Toro. O polo pernambucano deve trabalhar o ano todo em três turnos e produzir 225 mil unidades, em alta de 12,5% sobre 2018 e quase no topo da capacidade nominal de 250 mil/ano. Na maior planta, em Betim (MG), onde é fabricada toda a linha Fiat como Argo, Mobi, Uno e Strada, a produção deve avançar entre 5% e 6%, fechando 2019 em torno de 360 mil unidades. Já em Córdoba, na Argentina, onde é feito o sedã Fiat Cronos, a operação em um turno está com velocidade reduzida e não deve passar de 50 mil veículos montados este ano, segundo informa Filosa. 

CHANCE DE CRESCER MAIS NO BRASIL


Filosa avalia que o cenário econômico atual do Brasil é passageiro. Para ele, as previsões de baixo crescimento do PIB, reduzidas de 3% no início do ano para menos de 1% agora, “vão voltar a subir em 90 a 100 dias”. Isso porque o executivo estima que a possível aprovação da reforma da Previdência nos próximos meses deve trazer novo fôlego à economia. 

“Os números não estão como queríamos, mas o País está em um bom caminho e tem condições de crescer de duas a três vezes mais do que está previsto”, aposta Filosa. “As reformas propostas pelo governo são bem avaliadas pelos analistas econômicos e devem causar efeito positivo no crescimento”, raciocina. 

Para o setor automotivo em específico, o executivo considera que o primeiro semestre foi relativamente positivo em volumes e nada indica que o resto do ano traga muitos problemas. Mas ele reconhece que o mercado está sendo sustentado pelas compras corporativas, com baixa rentabilidade, enquanto o varejo, as vendas nas concessionárias, permanece estagnado. Os negócios da FCA com grandes frotistas representam algo entre 18% e 20% das vendas da Fiat e 5% a 6% da Jeep, de acordo com Filosa. 

Para que a indústria reduzir sua ociosidade, Filosa defende que rapidamente o governo crie um programa de estímulo às exportações. “Existe grande potencial de aumentar as vendas na América Latina, mas ninguém consegue porque produtos concorrentes asiáticos têm preços menores que os nossos, porque esses países não exportam impostos como acontece no Brasil”, pondera. 

Assim como vem sendo defendido por vários integrantes da indústria, como medida emergencial enquanto uma reforma tributária não é feita, Filosa é favorável ao ajuste do Reintegra, mecanismo que devolve às empresas um porcentual do faturamento das exportações, como forma de devolver impostos embutidos e não resgatáveis da cadeia de produção que são embarcados junto com os produtos para fora do País. A associação dos fabricantes, a Anfavea, tenta emplacar junto ao governo uma elevação do Reintegra para 10% (o índice atual é de apenas 0,1%). 

“É fato que os impostos não resgatáveis em cada veículo exportado está na casa de 7,5% até 9%. Se incluir no cálculo as ineficiências logísticas, os carros produzidos no Brasil chegam aos outros países de 15% a 18% mais caros que alguns concorrentes. Não sei se o porcentual do Reintegra deve ser de 10%, mas algo precisa ser feito para aumentar nossas exportações”, diz Filosa. Ele calcula que com as compensações de custos as vendas de veículos brasileiros na América Latina (sem contar a Argentina) poderiam crescer para cerca de 500 mil unidades/ano. “O Reintegra seria uma boa medida para ajudar nisso, mas tem de ser temporário, até não precisar mais depois da reforma tributária”, defende.



Fonte: www.automotivebusiness.com.br

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