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Crescimento atual do mercado é sustentável, diz VWCO

Data:30/8/2019

Vice-presidente Ricardo Alouche indica que cenário positivo se estende para 2020 e que Resende pode adotar 2º turno 

SUELI REIS, AB
 
O último trimestre de 2019 ainda nem chegou, mas a perspectiva para 2020 já existe e ela é positiva. É com essa premissa que Ricardo Alouche, vice-presidente de vendas, marketing e pós-venda da Volkswagen Caminhões e Ônibus, avalia o momento atual de crescimento do mercado brasileiro e indica que o bom momento deve se estender para o ano que vem. Em sua avaliação, o crescimento atual é mais sustentável do que em anos recentes: o mercado está mais maduro e consciente de suas necessidades.

“O sentimento agora é positivo. Nos períodos anteriores, era difícil avaliar, estava truncado, tinha incertezas. Agora está fluindo [mercado de caminhões]. Não está no patamar espetacular, o que é bom, porque não gera falta de peça. É um crescimento sustentável”.

Ele lembra que em 2011 o boom das vendas foi puxado pelos juros subsidiados aliado ao próprio aquecimento dos negócios com PIB em alta na época, além de uma antecipação de compra devido à chegada dos modelos Euro 5, cujos preços teriam um aumento médio de 15%. Depois disso, a depressão geral instalada com a crise só foi revertida em meados do ano passado e o desde então o próprio mercado mostra que essa curva continua ascendente.

Para o segmento de caminhões em geral, ele adianta que a Anfavea, associação das fabricantes, trabalha com um cenário de crescimento para 2020. Em sua análise, aponta que não há nenhum elemento que indique algum risco iminente para a saúde atual do mercado. “A economia está reagindo bem, os empresários estão voltando a investir, a aceitação da política econômica tem sido positiva e a aprovação das reformas está começando a dar bons sinais. Muitos empresários resistentes estavam com dúvidas se elas passariam, mas tudo indica que vão passar. Com isso, todos os sinais indicam que haverá crescimento da economia. E gerando PIB, gira o mercado de caminhões: é diretamente proporcional.”

FÁBRICA DE RESENDE PODE GANHAR SEGUNDO TURNO

Além da consolidação do mercado brasileiro, outros fatores podem alavancar a indústria nacional. Alouche indica que após as eleições de outubro, a Argentina poderá ter um início de reação a partir do segundo ou terceiro trimestre de 2020. O México, que no início do ano apresentou certa queda no mercado, deve voltar a crescer em 2020.

“A Anfavea projeta crescimento para o ano que vem e caso se consolide vamos ter que pensar sim no segundo turno em Resende”, afirma Alouche se referindo à situação atual da fábrica da VWCO, que opera no limite de sua capacidade produtiva.

No início da crise argentina, a produção chegou a ser prejudicada, mas com o crescimento exponencial do mercado brasileiro, principalmente no segmento de caminhões pesados e extrapesados, a fábrica chegou a adotar turnos aos sábados e horas extras. “Talvez no primeiro momento não seja um segundo turno cheio, mas com algumas alternativas flexíveis para gerar incremento da produção”, explica.

Atualmente, a fábrica possui duas linhas de montagem e a que opera em turno único é a responsável pela montagem de caminhões e ônibus Volkswagen. Uma segunda linha que monta o pesado MAN TGX já trabalha em dois turnos de trabalho.

“A Argentina voltando em meados do ano que vem, o México se recuperando, além dos novos mercados que estamos prospectando gerando alguns frutos, mais o mercado brasileiro apresentando essa crescente demanda, certamente teremos que ir para o segundo turno.”

AGRONEGÓCIO PUXA, MAS CARGA URBANA REAGE

Ainda para 2020, Alouche acredita que o caminhão pesado continuará liderando o mercado, mas em proporção menor com relação ao que tem sido visto em 2019. Só no primeiro semestre, o volume de vendas da categoria cresceu acima dos 100% e representou 40% das vendas totais de caminhões no Brasil. “Vai continuar aquecido, mas deve manter-se no patamar entre 35% e 40% de participação do mercado no ano que vem.”

Parte disso está no crescimento gradativo que vem sendo percebido nos outros segmentos, como leves e médios. “Acredito que este segundo semestre será melhor do que mesmo período do ano passado, mas com uma mudança no mix: as vendas do extra-pesado foram concentradas no primeiro semestre, uma vez que já passou a sazonalidade da safra, e agora percebemos os modelos urbanos reagindo.”

A VWCO trabalha com a mesma perspectiva da Anfavea, de que o mercado total de caminhões crescerá 15% em 2019. Mas a própria Anfavea já deu indícios de que esta projeção poderá ser maior.

“Acima desse índice, vai depender muito da economia. Não há nenhum indício de que vai passar dos 15%. Até porque ano passado veio num ritmo de crescente contínua. Não teve sazonalidade em 2018: o segundo semestre foi mais forte. O que se pode dizer é que o crescimento para o segundo semestre de 2019 não será o mesmo que registramos no primeiro semestre deste ano.”

Além do agronegócio, ele acredita que as intenções de privatizações e investimentos em outros setores, como a construção civil, mesmo que demore um pouco, acaba refletindo no segmento de caminhões. “Muitas das empresas anunciadas para serem privatizadas têm frotas antigas ou obsoletas: elas também podem renovar.”

FENATRAN: NOVO STATUS PARA OS NEGÓCIOS

Outro fator que pode influenciar o mercado logo no início do ano é o reflexo que a Fenatran ainda deverá causar nos próximos meses. Agendada para acontecer entre 14 e 18 de outubro, a feira ganhou novo status de feira de negócios. 

“Até três edições atrás, era mais uma feira de demonstração. Nas duas últimas ficou mais forte a vocação para fechar venda, fechar negócios. A expectativa é boa atrelada ao momento atual do mercado.”


Fonte: www.automotivebusiness.com.br

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