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Petrobras atinge lucro líquido recorrente de R$ 9,1 bilhões no 3T19

Data:28/10/2019

Alta de 36,8% ante o mesmo período de 2018, e 35,1% nos nove meses de 2019.  De acordo com a direção da companhia o desempenho deste período já começa a refletir a implantação da estratégia voltada para a criação de valor.

A Petrobras reportou os resultados do balanço do terceiro trimestre de 2019 no dia 25 de outubro (sexta-feira), cujos destaques ficaram por conta do lucro líquido e o Ebitda ajustado recorrentes da companhia foram de R$ 10,0 bilhões e R$ 35,1 bilhões, respectivamente, desconsiderando-se os efeitos dos itens especiais.

Mas, considerando os itens especiais, o lucro líquido atingiu R$ 9,1 bilhões, refletindo principalmente o aumento da produção de óleo e gás e o ganho de capital com a venda da BR Distribuidora.
 
O Ebitda ajustado foi de R$ 32,6 bilhões, estável em relação ao segundo trimestre de 2019 apesar da queda do preço do Brent, como resultado do sólido desempenho operacional, com a captura de maiores margens no diesel e no GLP, os maiores volumes de exportação de óleo e de venda de diesel no mercado interno.

No terceiro trimestre de 2019, o índice dívida líquida/LTM Ebitda ajustado caiu para 2,58x versus 2,69x no segundo trimestre de 2019, aplicando os efeitos do IFRS 16 em todo período do LTM Ebitda ajustado. Uma vez expurgados tais efeitos, o índice teria sido 1,96x no terceiro trimestre de 2019.

O Conselho de Administração aprovou a antecipação de distribuição de remuneração aos acionistas sob a forma de juros sobre o capital próprio (JCP) no valor de R$ 2,6 bilhões, equivalente a R$ 0,20 por ação ordinária e preferencial em circulação.

De acordo com a Petrobras em coletiva com a imprensa e teleconferência, o terceiro trimestre de 2019 foi marcado pelo forte volume de produção de óleo que, aliado à realização de estoques formados no segundo trimestre de 2019, possibilitaram um aumento nas exportações de óleo, além do aumento das exportações de derivados, como gasolina e óleo combustível com baixo teor de enxofre. Este fato, combinado ao aumento das vendas de diesel no mercado interno, devido ao período da safra de grãos no Brasil, e às maiores vendas de gás natural e geração de energia elétrica, ambos influenciados pela piora das condições hidrológicas que se refletiram em aumento do PLD e da demanda termelétrica, contribuíram para um aumento na receita de vendas, que totalizou R$ 77 bilhões no terceiro trimestre de 2019, 6,2% acima do segundo trimestre de 2019.

O presidente da Petrobras, Roberto da Cunha Castello Branco comentou o momento da petroleira, dizendo: — o desempenho da companhia no terceiro trimestre de 2019 já começa a refletir a implantação de nossa estratégia voltada para a criação de valor.

A produção de óleo e gás atingiu o nível recorde de 3,0 MMboed no mês de agosto, quando também ocorreu um recorde díario de 3,1 MMboed.

O ramp-up das novas plataformas influenciou de forma importante o crescimento da produção, tendo o pré-sal sido responsável por 60,4% da produção de óleo total da Petrobras no Brasil. O FPSO P-76, operando no campo de Búzios, completou o ramp-up em 7,7 meses, outro recorde a comemorar e que tem efeito positivo sobre a taxa de retorno do investimento, em linha com um de nossos pilares estratégicos: foco na eficiência da alocação do capital.

Dada a escassez de recursos, os projetos têm que competir por capital, que é alocado apenas para os melhores em termos de retorno e risco esperado.

O custo caixa de extração (lifting cost) no pré-sal alcançou nível sem precedentes, de US$ 5,0 por boe, o que contribuiu para que o custo médio de extração da companhia fosse inferior a US$ 10 por boe (US$9,7/boe).

Várias iniciativas estão em curso para cortar custos em bases permanentes. Processos estão sendo redesenhados, lançamos uma família de programas de demissão voluntária (PDVs) nos quais já se inscreveram mais de 2.000 empregados, desocuparemos quatro prédios até o final do ano, estamos passando de 18 escritórios fora do Brasil para somente cinco e várias outras medidas estão sendo implementadas com o emprego da transformação digital.

Apesar da queda nos preços do petróleo, de US$ 75,27 no terceiro trimestre de 2018 para US$ 61,94 por barril no terceiro trimestre de 2019, o fluxo de caixa operacional de R$ 32,8 bilhões atingiu recorde histórico.

A melhoria da alocação do capital está sendo buscada através da gestão do portfolio, com desinvestimentos de ativos com baixo retorno do capital empregado.

No terceiro trimestre de 2019 transferimos as ações da Montevideo Gás e Conecta, empresas distribuidoras de gás no Uruguai para o Governo desse país, e vendemos nossa participação na Belém Bioenergia, ativos geradores de prejuízos sistemáticos para a Petrobras ao longo de vários anos.

Em novembro receberemos as propostas não vinculantes para a venda das refinarias RNEST, RELAM, REPAR e REFAP e esperamos concluir o acordo para a venda da Liquigás. Ao mesmo tempo, já iniciamos a fase de recebimento de ofertas não vinculantes para a venda das refinarias REGAP, REMAN, LUBNOr e SIX.

Em linha com o objetivo estratégico de redução do custo de capital, estamos ampliando a transparência, reduzindo endividamento e alongando sua duração.

O Conselho de Administração aprovou política de remuneração aos acionistas, que definiu parâmetros objetivos para o pagamento de dividendos e juros sobre o capital próprio. A remuneração anual dos acionistas poderá superar o mínimo legal a partir de uma dívida bruta inferior a US$ 60 bilhões, quando a companhia distribuirá aos acionistas 60% da diferença entre o fluxo de caixa operacional e o capex.

A dívida bruta da Petrobras chegou a US$ 90 bilhões em 30.09.2019 contra US$ 101 bilhões no final do segundo 19, que era por acaso igual ao valor da dívida externa atual da Argentina. O custo médio de nossa dívida caiu abaixo de 6,0% a.a., chegando a 5,9% a.a., ao mesmo tempo em o prazo médio passou de 10,25 anos no 2T19 para 10,42 anos.

Três transações foram emblemáticas: (a) a securitização de recebíveis da Eletrobras no valor de R$ 8,4 bilhões, virando uma página em nossa história; (b) a oferta de troca de dívida com vencimentos entre 2023 e 2039, totalizando US$ 3,7 bilhões, por um novo bond com vencimento em 2030 e yield to maturity de 5,093 % a.a., o menor desde 2013; (c) a emissão no mercado doméstico de debêntures de infraestrutura no valor de R$ 3 bilhões, a maior oferta distribuída na história do mercado de capitais brasileiro, com prazos de 10 e 15 anos e taxa de 3,9% a.a. após o swap para dólares americanos.

Em 3 de outubro, lançamos o quarto ciclo do Programa Compromisso com a Vida. Dentre as várias ações do programa, destacam-se: o fortalecimento da cultura de alto desempenho em saúde, meio ambiente e segurança (SMS), com ênfase em fatores humanos e segurança de processos, transformação digital e inclusão de novas tecnologias nos processos, promovendo aumento da segurança e geração de valor para o negócio. Desde o primeiro ciclo do Programa Compromisso com a Vida, em 2015, conseguimos reduzir a taxa de acidentados registráveis (TAR) de 2,15, para 0,75 no terceiro trimestre de 2019, a menor taxa trimestral registrada e inferior ao benchmark da indústria de óleo e gás de 0,80.

Tendo em vista que nossa produção de petróleo contém baixo teor de enxofre, estamos expandindo a produção de bunker oil 0,5%, cuja demanda global é crescente para o atendimento das especificações do IMO 2020, que busca a redução da emissão de gases de efeito estufa.

Desde 12 de setembro a Petrobras têm alocado recursos para lidar com uma agressão ambiental sem precedentes no Brasil, com seus laboratórios científicos analisando o óleo que chega às nossas praias e atuando em sua limpeza com pessoas e equipamentos para mitigar os efeitos desse fenômeno sobre as pessoas e o meio ambiente. Estamos felizes com os resultados alcançados e mais ainda com o engajamento de nossos empregados na implementação da agenda transformacional da companhia na busca da maximização de valor.

Entretanto, temos que reconhecer que resta muito a ser feito, estamos somente no início de uma caminhada com muitos e importantes obstáculos a vencer. Somos ainda uma companhia muito endividada, com custos altos e numa indústria que se defronta com grandes desafios num cenário global de aceleração de mudanças e crescente interdependência entre diferentes atividades econômicas. O reconhecimento de nossas deficiências nos estimula crescentemente a trabalhar para nos transformar na melhor empresa de energia na geração de valor para o acionista, com foco em óleo e gás e com segurança, respeito às pessoas e ao meio ambiente”, concluiu o executivo.


Fonte: www.revistafatorbrasil.com.br

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