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Ford encerra história em São Bernardo sem concluir venda ao Grupo Caoa

Data:31/10/2019

Após operar 52 anos na região, linha de montagem foi paralisada na quarta-feira, 30

PEDRO KUTNEY, AB
 
A Ford encerrou de forma melancólica sua história industrial de 52 anos em São Bernardo do Campo (SP), sem que fosse concluída a venda da fábrica do Taboão para o Grupo Caoa, que há quase dois meses havia confirmado o interesse em comprar a unidade para continuar a fazer caminhões Ford e possivelmente carros de uma marca chinesa. Na quarta-feira, 30, foram finalizadas formalmente as atividades da linha de montagem de caminhões com a demissão de 600 trabalhadores – a área de automóveis onde era produzido o Fiesta já tinha sido desmontada em julho. Não houve protestos na planta, que tem seu futuro incerto.

A montadora informou que “as negociações envolvendo a venda da planta para o Grupo Caoa ainda estão em andamento, sem decisão conclusiva até o momento, e a Ford reitera que continua fazendo todos os esforços cabíveis para alcançar um resultado positivo”, diz o comunicado. Em assembleia realizada na porta da fábrica na terça-feira, 29, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Wagner Santana, afirmou que a aquisição da planta pela Caoa só dependia de “uma decisão política do governo federal para aprovar o financiamento do BNDES” para viabilizar a nova operação do Grupo Caoa na unidade.

O encerramento das atividades industriais da Ford em São Bernardo determinou o desemprego de 2,1 mil pessoas até agora – a planta tinha 2,8 mil funcionários no início de 2019, quando o fechamento foi anunciado. Os 700 empregados restantes trabalham em áreas administrativas e têm a expectativa de serem transferidos para novo endereço em São Paulo.

“Em nome da Ford Motor Company, quero agradecer aos funcionários de São Bernardo pelo seu profissionalismo e dedicação durante vários anos”, disse em comunicado Lyle Watters, presidente da Ford América do Sul. “Mesmo após o anúncio feito em fevereiro, eles nunca deixaram de cumprir com suas obrigações”, acrescentou. O executivo elogiou ainda o papel desempenhado pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC: “Quero agradecer ao sindicato pelo profissionalismo e pela atitude dedicada durante esse delicado processo”.

VENDA SEM CONCLUSÃO


Em fevereiro passado a Ford comunicou a decisão de fechar a fábrica de São Bernardo no dia 30 de outubro, com custos da ordem de US$ 460 milhões em indenizações a funcionários, distribuidores e fornecedores. Dias depois o governador de São Paulo, João Doria, anunciou que ajudaria a encontrar um comprador para a operação e o Grupo Caoa foi o único a confirmar publicamente o interesse. No início de setembro, em reunião no Palácio dos Bandeirantes, foi informado que o negócio estava fechado e a compra seria concluída em cerca de um mês, o que não ocorreu.

No mesmo dia do encerramento da produção na planta do Taboão, o governador Doria, que dava o negócio como certo, dessa vez se esquivou: “O governo estimula, aproxima, indica, mas uma fábrica privada só pode ser vendida por um ente privado, ou seja, é uma relação direta da Ford do Brasil com a Caoa”, disse em entrevista coletiva.

HISTÓRIA INTERROMPIDA


A Ford completou história de 100 anos de atuação no Brasil, mas a fábrica de São Bernardo do Campo foi adquirida há 52 anos após a compra, em 1967, das operações locais da Willys Overland. Aos poucos, nos anos seguintes foi encerrada a produção dos modelos Willys e foram sendo introduzidos os automóveis da Ford no ABC paulista, a começar pelo Corcel. Depois chegaram Maverick, Escort (primeiro carro de projeto global a chegar ao Brasil), Corcel II, Del Rey, Pampa, Ka e Fiesta.

Além de automóveis, o complexo produziu motores, tratores e em 2001 passou a abrigar a fábrica de caminhões, transferida da antiga unidade do Ipiranga. Segundo a Ford, São Bernardo foi também a primeira na unidade industrial no País a ter uma comissão de fábrica do sindicado, no início dos anos 1980.

No comunicado distribuído na quarta-feira, Lyle Watters reconheceu que a ação de fechamento da São Bernardo “foi difícil, mas necessária para a reestruturação dos negócios da empresa” no País. Segundo ele, as outras unidades seguirão em operação: “Temos uma visão otimista para o Brasil e o futuro da Ford, com a continuidade de nossas operações nas fábricas de Camaçari e Taubaté e no Campo de Provas de Tatuí”, completou.



Fonte: http://www.automotivebusiness.com.br

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