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Diversidade é busca necessária ao setor automotivo

Data:5/11/2019

II Fórum AB dedicado ao tema reforça o papel das empresas na promoção da equidade e da inclusão

Buscar a diversidade e a inclusão nas empresas deve ser uma constante no setor automotivo. Essa foi a mensagem central do II Fórum AB Diversidade que reforçou a importância das organizações no longo processo pela busca da equidade de gênero e de raça e na inclusão dos diversos grupos que hoje compõem a sociedade, como pessoas com deficiência (PCDs) e pessoas LGBT+. Realizado na sexta-feira, 1º de novembro, em São Paulo, o evento organizado por Automotive Business trouxe mais uma vez à tona a necessidade de tornar esta pauta frequente em todas as mesas onde são tomadas as decisões estratégicas.

O evento também foi palco para iniciativas inéditas de Automotive Business, como o lançamento da Primeira Cartilha das Boas Práticas do Setor Automotivo construída a várias mãos pelos participantes da Rede AB Diversidade, que promoveu vários encontros ao longo deste ano. Além disso, o evento foi palco para a primeira edição do Prêmio AB Diversidade no Setor Automotivo, que reconheceu os esforços das empresas do setor que já adotam ações para promover a equidade e a inclusão.

Sete empresas aproveitaram o Fórum para assinar os Princípios de Empoderamento das Mulheres e Equidade de Gênero (Women´s Empowerment Principles – WEPs), compromisso com a ONU Mulheres. São elas: Anfavea, associação das fabricantes de veículos no Brasil, Faurecia, Mercedes-Benz, MHD Consultoria, SD&Press e Pieracciani Consultoria, além de Automotive Business.

“O II Fórum AB Diversidade coroa um trabalho feito ao longo do ano pelas empresas engajadas com a Rede AB Diversidade e vem reforçar que cada um aqui pode e deve ser protagonista das mudanças e transformações que o setor automotivo precisa passar para alcançar a diversidade e, assim, acelerar a inovação, a lucratividade e a satisfação das equipes internas”, declara Paula Braga, diretora-executiva de Automotive Business.

O II Fórum AB Diversidade contou ainda com o apoio da ONU Mulheres, que no Brasil é liderada por Adriana Carvalho, com o Prêmio WEPs, que reconhece empresas que empoderam mulheres. Também participaram do evento Margaret Groff, uma das criadoras do prêmio WEPs, e Marcelo Linguitte, head de parcerias estratégicas e mobilização de recursos do Pacto Global, iniciativa também da ONU para engajar empresas em áreas como direitos humanos, trabalho, meio ambiente e sustentabilidade.

JORNADA LONGA

Diante de uma plateia de quase de 300 pessoas, entre representantes de várias companhias que compõem a cadeia da indústria automotiva, Automotive Business apresentou os resultados da segunda edição do estudo Diversidade no Setor Automotivo, que foram debatidos ao longo do dia com 19 palestrantes.

Ao insistir na premissa de que é necessário tornar a diversidade um assunto cada vez mais frequente nas organizações do setor, o especialista em diversidade e inclusão da Grate Place to Work (GPTW), Casimiro Perez sustenta que o assunto demanda cuidado constante das empresas. Ele admite que tornar as empresas mais inclusivas não é um trabalho simples.

“Diversidade não é uma corrida de cem metros rasos, é uma maratona”, compara Perez da GPTW.

O especialista lembra ainda das oportunidades que as empresas encontram ao incluir um público diverso não só internamente, mas também em seu posicionamento no mercado. “Há um potencial enorme para cada público que ainda não se sente representado no setor automotivo”, afirma.

Ações afirmativas de várias empresas do setor foram destaques ao longo dos debates. A gerente de RH e responsável por diversidade e inclusão no Grupo FCA, Marcela Sampaio, aponta que tudo começa com conscientização e um trabalho contínuo de educação para a mudança cultural em todos os níveis, desde a presidência até o chão de fábrica e terceiros.

Por sua vez, o diretor de compras indiretas e líder regional do comitê de diversidade e inclusão da Cummins, Marco Bologna, indica que o discurso deve ser coerente, começando por grupos que precisam ser diversos para tratar do tema. Além disso, ele admite que é comum enfrentar resistência à diversidade, uma vez que a cultura do preconceito é intrínseca da sociedade como um todo.

Ambos comentam sobre as iniciativas das empresa que representam e como elas tentam minimizar ou mesmo resolver velhos problemas, como propor programas de sucessão de lideranças com a inclusão de mais mulheres e pessoas negras, parcerias com universidades e ONGs para atrair talentos, criação de programas para treinar e formar novas líderes, adoção de recrutamento às cegas, monitoramento constante dos resultados, entre outros.

“Na Cummins, a certeza que temos dos ganhos ao trabalhar a diversidade é a inovação: reunir opiniões diferentes é a chave para inovar, fazer diferente e progredir”, ressalta Marco.

O gerente nacional de vendas Transportation da 3M, Eduardo Peron, falou da necessidade de despertar para a imensa desigualdade quando se trata da participação de pessoas negras nas empresas. “É papel da liderança estar aberto e fomentar o debate, não se fechar para as oportunidades e aceitar que temos de atrair estas pessoas para a discussão”, defende.

Para Josi Cruz, membro do grupo de diversidade e inclusão racial e etnia da 3M, o trabalho passa não só por atrair mais negros ou pessoas de diferentes etnias para dentro das organizações, mas engajar estes profissionais nas discussões sobre diversidade e inclusão. "Precisamos fazer um trabalho de educação porque ainda tem muita gente que não percebe que a falta de profissionais negros nas empresas é um problema.” A vice-presidente de human capital management do Goldman Sachs, Maria Cristina Sampaulo, resume o debate em uma frase contundente:

“O talento está em todos os lugares, a oportunidade não.”

DIVERSIDADE É TENTATIVA E ERRO

Na busca por promover a diversidade, vale errar para acertar quantas vezes for necessário, segundo Maitê Schneider, cofundadora da Transempregos, agência que conecta profissionais transexuais a vagas nas organizações:

"Tudo bem não saber tudo, tudo bem as empresas errarem. É do erro que surge a inovação e a criatividade. Parem de ter medo errar.”

Antônio Lacerda, vice-presidente de químicos, produtos de performance e sustentabilidade da Basf, falou da experiência da companhia ao trabalhar a diversidade há mais de 10 anos. Segundo ele, as iniciativas internas partiram da ideia de promover a equidade de gênero. Nesta busca, uma das grandes ações foi equiparar os salários de homens e mulheres que ocupavam cargos equivalentes.

“É com atitude que a gente muda e a liderança deve apoiar não da boca para fora, mas de forma que as pessoas reconheçam o valor da equidade e da diversidade. Se isso for imposto, não funciona”, aponta Lacerda.

Um dos painéis de debate contou ainda com a discussão sobre a inclusão de pessoas com deficiência (PCDs) em diversos níveis, incluindo a liderança. “Estamos aprendendo como trabalhar com essas pessoas, é um desafio, mas o mais importante é dar o suporte adequado para o colaborador atuar e produzir dentro da empresa”, alerta Jeanette Jacinto, diretora de RH da DAF Caminhões no Brasil.

O sócio-consultor da MAC Diversidade, Guilherme Bara, diz que é comum gestores focarem na deficiência, não nas capacidades e potenciais do profissional - o que prejudica a evolução ao longo da carreira. "É errado não promover um cadeirante, por exemplo, porque a nova posição exige que a pessoa viaje com frequência. Precisamos, antes de tudo, perguntar para a pessoa", diz. E complementa:

“Não se deve ignorar a deficiência, até porque muitas vezes ela é limitante, mas a pessoa não se resume a isso."

UMA INDÚSTRIA EM TRANSFORMAÇÃO

Em debate, três lideranças do setor da Volkswagen, Mercedes-Benz e da CNH Industrial apontaram que, sim, a indústria automotiva é um ambiente historicamente masculino, mas isso está mudando, embora muito lentamente, principalmente quando se trata de mulheres ou ainda negros e pessoas LGBT+ em cargos de liderança.

“Com os consumidores cada vez mais digitalizados e jovens que têm outra concepção sobre a posse do veículo, as empresas são obrigadas a trabalhar sua inserção nesse novo mundo de forma mais diversa”, defende a diretora de comunicação da Volkswagen, Priscilla Cortezze.

Ela informa que a VW já alcançou a meta de 15% de presença feminina nas posições executivas: “Já está na hora de revisarmos esse índice”, acrescenta, apontando que o objetivo é aumentar esta meta.

“Eu sou mulher e gosto de carro e de caminhão. Precisamos mudar essa imagem de que a indústria só fala com homens”, aponta a CFO da Mercedes-Benz, Kathrin Pfeffer. Na montadora, ela diz que a meta é chegar aos 20% de mulheres efetivas nos cargos de liderança no futuro.

No mundo do agronegócio, por exemplo, o preconceito de que as compras de máquinas e equipamentos são feitas só por homens começa a perder força: “Ouvi de lideranças internas de que não temos clientes mulheres, só homens”, conta a vice-presidente de RH da CNH Industrial para a América Latina, Telma Cracco, quando ela propôs trabalhar a diversidade de gênero nas empresas do grupo, que reúne companhias que produzem caminhões, ônibus e máquinas agrícolas. “Foi quando mostrei uma pesquisa que revelou que 30% das propriedades rurais têm mulheres como protagonistas na tomada de decisão da compra de máquinas agrícolas.”



SUELI REIS, AB

Fonte: www.automotivebusiness.com.br

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