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“Plantar para não faltar – uso múltiplo da madeira”

Data:7/11/2019

“Plantar para não faltar – uso múltiplo da madeira” é o tema da palestra que o diretor executivo da Associação Baiana das Empresas de Base Florestal (ABAF), Wilson Andrade, realiza às 15h de 08/11, como parte da programação da e-Agro. O evento, realizado pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia e o Sebrae-BA, acontece no Parque de Exposições Agropecuárias de Vitória da Conquista (BA), nos dias 8, 9 e 10/11.

Considerada a maior feira de inovação agropecuária da Bahia, a e-Agro tem como missão aproximar os produtores do campo dos geradores de inovação e tecnologia. Neste sentido, além da palestra, a ABAF vai divulgar o Programa Ambiente Florestal Sustentável (PAFS) que vem trabalhando temas relativos à educação ambiental em diversas comunidades rurais. Um dos temas trabalhados pelo programa é o do uso múltiplo da floresta plantada.

“A divulgação de importantes tópicos para a diversificação e sustentabilidade da atividade agropecuária é um dos principais objetivos da ABAF. A Bahia ainda não produz (e processa) a madeira plantada suficiente para atender a demanda do estado e muito disso se dá pela falta de conhecimento sobre o setor. Trabalhamos, inclusive, para a inclusão dos pequenos e médios produtores e processadores de madeira para uso múltiplo, visando o atendimento da demanda por móveis, peças e partes de madeira na Bahia – hoje atendida, na sua maior parte, por outros estados brasileiros; além de geração de energia”, informa Wilson Andrade.

Produtos de origem florestal estão presentes no nosso dia a dia e vão desde os mais evidentes, como papel e móveis, até produtos de beleza, medicamentos, alimentos e roupas. Entre os segmentos que usam a madeira como principal matéria-prima, podemos citar o de celulose e papel, o de painéis de madeira, o de pisos laminados, o de serrados e compensados, o de siderurgia a carvão vegetal, o de secagem de grãos e o de energia. “Em um cenário futuro desafiador, as florestas estão ganhando um novo status. Da garantia de suprimento de matéria-prima para todos os usos da madeira – atuais e potenciais – a uma nova economia de baixo carbono, a solução passa pelas florestas plantadas. Para isso, precisamos trabalhar na ampliação de mecanismos que incentivem o consumo de produtos florestais”, acrescenta Andrade.


O setor na Bahia

O estado possui 657 mil hectares de plantações florestais, com expressiva presença de plantios de eucalipto (94% do total), o que coloca a Bahia em 4º lugar no ranking nacional. As associadas da ABAF detêm 528 mil hectares de florestas plantadas, o que corresponde ao percentual de 85% do total estadual.

A indústria de base florestal estadual é diversificada, estando ativas 636 empresas que atuam na indústria celulose e papel (papel, papelão, celulose de fibra curta, celulose solúvel/especial etc), na indústria de madeira sólida (madeira serrada, madeira tratada, móveis de madeira etc.) e na indústria de material energético (carvão vegetal biomassa/pellets e resíduos da atividade florestal).

Em 2018, o contingente setorial alcançou 234,5 mil empregos, cerca de 8% do total nacional florestal. Além disso, o setor investe em quatro regiões da Bahia e isso contribui para a desconcentração da atividade econômica (e oferta de emprego) no estado (as plantações florestais estão no Sul, Sudoeste, Litoral Norte e Oeste).

Estima-se que no estado existam entre 400 a 500 mil hectares de florestas nativas destinadas à preservação ambiental. Deste total, as associadas da ABAF contribuem com 380 mil hectares, o que representa 87% do total. Em resumo, o setor tem mais de 0,7 ha preservado para cada hectare de produção.

Considerando a cadeia produtiva do setor florestal-industrial na Bahia, o Produto Interno Bruto (PIB) atingiu R$ 14,2 bilhões em 2018. O setor contribuiu com mais de 5% do PIB estadual. A arrecadação tributária do setor foi superior a R$ 4 bilhões em 2018, o equivalente a 4,3% do total arrecadado na Bahia.

As empresas associadas da ABAF apoiam proprietários rurais locais em diferentes modalidades de fomento, os quais detêm juntos 42 mil hectares de florestas (aumento superior a 9% em relação à área total de 2017). Em 2018, as empresas baianas firmaram 370 novos contratos de fomento florestal, beneficiando cerca de 300 famílias no estado.

O setor tem sido historicamente um dos principais da economia baiana. Em 2018, foi o primeiro, responsável por 18,4% do total das exportações do estado. Os produtos da sua cadeia produtiva somaram mais de US$ 1,62 bilhão nas exportações, contribuindo de maneira significativa no saldo positivo da balança comercial.

Analisando-se os indicadores de desenvolvimento municipal (Índice FIRJAN de Desenvolvimento Municipal), observa-se que em regiões e municípios onde a cadeia de florestas plantadas está consolidada, ocorrem índices superiores a outras.

O setor recebeu investimentos de R$ 728 milhões em 2018, 16% a mais do que em 2017. A maioria desse montante (90%) foi direcionada à reforma, implantação e manutenção dos plantios florestais. As empresas associadas da ABAF estimam que, para o período entre 2019 e 2024, serão investidos mais de R$ 2 bilhões no setor de base florestal.

s condições edafoclimáticas favoráveis e os investimentos em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) florestal, especialmente nas áreas de silvicultura e manejo, refletem nos altos níveis de produtividade das florestas plantadas no estado. Na Bahia os níveis de produtividade médios das florestas de eucalipto ultrapassam os 30 m³/ha.ano. Em alguns casos os incrementos superam 40 m³/ha.ano.


PAFS

O Programa Ambiente Florestal Sustentável (PAFS) vem trabalhando os temas: Uso Múltiplo da Floresta Plantada; Regulamentação Ambiental das Propriedades Rurais (Código Florestal/ CAR/ Cefir); Integração Lavoura, Pecuária e Floresta (iLPF)/Plano ABC; Preservação dos Recursos Hídricos; Prevenção e Controle de Incêndios Florestais; Controle de Gado nas Áreas de Preservação; Combate ao Carvão Ilegal; e Programa Fitossanitário de Pragas.


Para isso foi elaborado um amplo programa de comunicação e foi montada e orientada uma equipe de engenheiros (agrônomos e florestais) que vem trabalhando com uma estrutura com veículos, equipamentos audiovisuais, campanha publicitária e material informativo. Desde 2016, o PAFS já percorreu 243 mil quilômetros; realizou 200 treinamentos em 180 comunidades; instruiu cerca de 8 mil produtores rurais de frutas, eucalipto, café, entre outras culturas, da região e estudantes. “O resultado tem sido muito positivo graças às parcerias feitas com o Governo do Estado, através da Seagri e ADAB; Sindicados Rurais da FAEB/Senar e Prefeituras, através de suas secretarias de agricultura e meio ambiente. Acreditamos que a responsabilidade de uma produção rural sustentável tem que ser de todos nós”, informa Paulo Andrade, coordenador do programa.




Por CELULOSE ONLINE

Fonte: https://www.celuloseonline.com.br

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