Limpeza Técnica De Componentes - Limpar Antes De Montar
Por Engº Alex Peixoto
Edição Nº 37 - Março/ Abril de 2009 - Ano 7
“O custo de montar componentes limpos é menor que o custo de reparo provocado pela contaminação remanescente do processo de limpeza produtiva”
A partir do final da década de 1990 na Europa, as montadoras de veículos, fabricantes de auto peças, fornecedores de equipamentos de lavagem utilizados em linhas de produção e os demais agentes envolvidos nos processos de limpeza e avaliação de resultados, iniciaram uma extensa pesquisa fundamentada num conceito bastante conhecido no ramo da hidráulica e da lubrificação, ou seja, baseados no conceito de que a maior parte das falhas verificadas em sistemas atendidos por um fluido hidráulico ou lubrificante, tem sua raiz na contaminação do fluido, a limpeza das peças em contato com fluidos deveria ser controlada e avaliada.
Este conceito no ramo hidráulico vem sendo estudado e explorado há décadas com o objetivo de elevar a confiabilidade de sistemas de alta criticidade, uma vez que os custos de parada de produção, o valor do reparo de componentes danificados e a possibilidade real de acidentes ocasionando ferimentos e eventualmente fatalidades, justificam esta busca pela excelência no controle da contaminação hidráulica.
A alta competitividade verificada no setor automobilístico exige que os fabricantes de veículos e seus fornecedores procurem associar a melhor tecnologia ao menor custo global.
Isso fez com que estes estudos, associando o conceito de eliminação da causa raiz de falhas em componentes, juntamente com uma busca pela redução de retrabalhos e consertos em garantia, levassem a uma conclusão similar, isto é, o custo de montar componentes limpos é menor que o custo de reparo provocado pela contaminação remanescente do processo de limpeza produtiva.
Vale lembrar que os custos de retrabalho nestes componentes podem ser causados por falhas verificadas não apenas nos veículos e seus componentes prontos e eventualmente já vendidos, mas durante sua fabricação nas linhas de montagem.
Para desenvolver esta pesquisa, 25 empresas ligadas ao setor automobilístico entre montadoras e fornecedores na Europa, entre as quais a Hydac, e associadas sob a aliança industrial TecSa, traçaram as diretrizes através de seus especialistas ao instituto Fraunhofer IPA na Alemanha, para elaboração do estudo que serviu de base para a elaboração da norma ISO16232.
Esta norma trata em suas dez partes dos procedimentos de verificação e classificação da contaminação sólida remanescente em auto peças a ser verificada em uma determinada etapa do processo produtivo, podendo ser:
•Após uma etapa de usinagem, solda, fixação ou banho;
•Após uma etapa de lavagem no processo produtivo – interna e/ou externa;
•Antes de uma etapa de montagem;
•Antes do abastecimento do fluido como óleos, graxas, combustível, fluido de refrigeração, etc.
Devido à complexidade de formas, tamanhos, processos de limpeza, criticidade de aplicação e custos de fabricação, a avaliação dos processos de limpeza é igualmente complexa e envolve três fases: extração, análise e elaboração do relatório.
Fase de Extração
Nesta fase, o componente é preparado e posicionado numa cabine limpa (figura 1) e através de três possibilidades de extração, os contaminantes remanescentes serão removidos e capturados em uma membrana de coleta.
Estas três possibilidades são: rinsagem, ultra-som e flushing (limpeza interna do componente).
Na figura 2 há um exemplo esquemático da extração por rinsagem, processo este que utiliza um esguicho para lavar a peça externamente quando há a possibilidade de manipulá-la de alguma forma, ou no caso da peça de grandes dimensões.